A recente história de Lois Kinder, uma britânica de 44 anos, traz à tona preocupações sobre a segurança de suplementos alimentares, especialmente aqueles que são frequentemente considerados “naturais”. Após um ano consumindo gomas de ashwagandha, uma erva popular por suas supostas propriedades calmantes, Lois entrou em coma e necessitou de um transplante de fígado, evidenciando os riscos associados ao uso indiscriminado desse tipo de produto.
A ashwagandha, originária da Índia, é amplamente comercializada como uma solução natural para estresse e problemas de sono. No entanto, a Anvisa já declarou que a eficácia e a segurança desse suplemento não estão comprovadas, levando à sua proibição no Brasil desde novembro de 2022. Apesar disso, o produto ainda pode ser encontrado à venda em algumas lojas, o que gera um alerta sobre a necessidade de regulamentação mais rigorosa.
Lois não era apenas uma usuária; ela promovia as gomas nas redes sociais, recebendo produtos de diversas marcas para compartilhar com seus seguidores. O primeiro indício de que sua saúde estava comprometida foi a icterícia, um sinal claro de que o fígado estava falhando. A situação se agravou rapidamente, levando a complicações durante o transplante, que resultaram em danos cerebrais e paradas cardíacas.
Casos semelhantes têm sido documentados na literatura médica, com a ashwagandha associada a lesões hepáticas em pacientes que relataram sintomas como icterícia após o uso de suplementos. Um estudo recente compila 37 casos de hepatotoxicidade relacionados à erva, com alguns resultados em transplantes ou até mesmo óbitos.
No Brasil, a regulamentação em torno de suplementos alimentares é clara: somente ingredientes aprovados pela Anvisa podem ser utilizados. A agência enfatiza a importância da fiscalização e orienta os consumidores a denunciarem a venda ilegal desses produtos. É fundamental que os cidadãos estejam cientes de que a comercialização de suplementos não pode ocorrer com promessas de cura ou prevenção de doenças, reforçando a necessidade de um consumo mais consciente e informado.
Crédito da imagem: Mulher de 44 anos tomou gomas da erva por cerca de um ano



