quinta-feira, 22/10/2026

Anvisa registra nove óbitos relacionados ao uso experimental de polilaminina e estabelece novas diretrizes; especialista levanta dúvidas sobre os casos.

A recente decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de restringir o uso compassivo da polilaminina, após a notificação de nove mortes, reacendeu um intenso debate sobre a segurança e a eficácia dessa…

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A recente decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de restringir o uso compassivo da polilaminina, após a notificação de nove mortes, reacendeu um intenso debate sobre a segurança e a eficácia dessa substância. A pesquisadora Tatiana Sampaio, responsável pelos estudos relacionados ao tratamento, expressou sua indignação em um vídeo, criticando a Anvisa por suas novas diretrizes, que, segundo ela, tornam o acesso à substância quase inviável para muitos pacientes. “Agora tudo depende de uma correria louca, que poucas pessoas conseguem cumprir”, declarou Tatiana.

O laboratório Cristália, que desenvolve a polilaminina, esclareceu que as mortes não estão diretamente ligadas ao uso do medicamento, que é administrado a pacientes em estado crítico através do uso compassivo — uma autorização que permite que indivíduos sem alternativas de tratamento recebam terapias experimentais. Entretanto, a Anvisa tomou a decisão de restringir o uso após a notificação de cinco mortes entre os primeiros pacientes tratados, todos fora dos critérios estabelecidos.

Atualmente, a polilaminina é aplicada apenas em pacientes com lesões na medula de até 72 horas e localizadas entre as vértebras T2 e T10. Essa mudança nas diretrizes gerou críticas por parte de Tatiana, que defende que o tratamento deveria ser estendido a tetraplégicos e a pessoas com lesões mais antigas. Ela argumenta que estudos anteriores mostram que a polilaminina pode ter efeitos positivos mesmo em lesões mais antigas, o que levanta preocupações sobre o acesso limitado imposto pela Anvisa.

A Anvisa, por sua vez, justificou sua decisão com base em uma avaliação de risco-benefício, que incluiu consultas com especialistas renomados. A agência enfatizou que suas diretrizes são fundamentadas em critérios técnicos com o objetivo de proteger a saúde da população. Essa posição foi reafirmada em uma nota em que a Anvisa repudiou ataques pessoais a seus servidores, especialmente em relação à diretora Daniela Marreco, que foi criticada por Tatiana.

As tensões entre a Anvisa e os representantes do laboratório Cristália revelam um cenário complexo em que a urgência de oferecer tratamentos experimentais é confrontada com a necessidade de garantir a segurança dos pacientes. A questão central permanece: como equilibrar a inovação em tratamentos com a responsabilidade regulatória que assegura a saúde pública? Enquanto isso, o acesso à polilaminina continua sendo um tema polêmico, com pacientes clamando por alternativas que possam aliviar suas condições devastadoras.

Crédito da imagem: Testes ainda não garantem a segurança da polilaminina