Um ser humano foi infectado pelo vírus Shamonda, um patógeno da família dos ortobunyavírus, até então restrito a animais de criação. Este caso inédito foi identificado na França, onde um paciente imunossuprimido faleceu em outubro, destacando uma preocupação emergente em saúde pública.
A infecção, que surpreendeu as autoridades francesas, ocorre em um contexto onde o vírus, conhecido por circular na África e na Ásia há várias décadas, nunca havia sido detectado em humanos. Os ministérios da Saúde e da Agricultura da França esclareceram que a infecção ocorreu em um homem internado em Lyon, que enfrentava uma condição de saúde crítica antes de sua morte.
Investigações preliminares sugerem que a picada de um inseto do gênero Culicoides, comum na região leste da França, pode ser a responsável pela transmissão do vírus. A presença do Shamonda entre os animais na França já havia sido confirmada em bovinos e, em menor escala, em ovinos e equinos, particularmente durante a primavera e o verão de 2026.
Desde a identificação do vírus na Europa, em julho, a disseminação foi rápida, com registros em 52 departamentos franceses. A Vigilância Epidemiológica em Saúde Animal (ESA) aponta que 14 países da Europa Ocidental já relataram a presença do vírus, com a propagação sendo favorecida pelas condições climáticas que beneficiam os insetos vetores.
Embora a infecção tenha causado complicações neurológicas no paciente, as autoridades garantem que, até o momento, não há risco identificado para a população em geral. As investigações continuam em andamento com a colaboração de especialistas em saúde humana, animal e ambiental, reforçando a abordagem integrada de ‘Uma Só Saúde’.
O vírus Shamonda, que foi inicialmente descoberto na Nigéria nos anos 60, tem como principais hospedeiros os bovinos, com registros esporádicos em ruminantes menores e equinos. As autoridades de saúde francesas não apenas estão monitorando a situação, mas também notificaram organismos internacionais, como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC), em resposta a este raro caso.
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