A insônia, um mal que afeta um número alarmante de brasileiros, tem se tornado uma preocupação crescente entre especialistas da saúde. Dados revelam que quase um terço da população adulta nas capitais sofre com dificuldades para dormir, como insônia crônica, que pode trazer consequências devastadoras para a saúde física e mental. Entre os riscos associados estão o aumento das chances de demência, AVC e problemas cardíacos, conforme relatado por neurologistas e psiquiatras.
O sono é vital para o funcionamento adequado do cérebro. Durante a noite, ocorre um processo de limpeza cerebral, onde o líquor circula entre as células, removendo resíduos que se acumulam ao longo do dia. Quando a insônia se torna frequente, essa “faxina” é prejudicada, levando ao acúmulo de proteínas nocivas, como a beta-amiloide e tau, que estão ligadas a doenças neurodegenerativas, incluindo o Alzheimer. O neurologista Diego Carvalho alerta que o acúmulo dessas substâncias resulta de um padrão contínuo de noites mal dormidas e não de um único episódio.
Além de afetar a cognição, a insônia também impacta o sistema cardiovascular. De acordo com Carvalho, a relação entre insônia e problemas cardíacos é bem documentada, evidenciando um risco elevado de AVC e outras condições relacionadas ao coração. Os efeitos imediatos da falta de sono são visíveis na rotina de quem sofre com a insônia. O relato de Patrick, um reabilitador físico de 35 anos, destaca como o cansaço extremo pode comprometer a atenção e a segurança no trabalho.
A artista plástica Vitória, de 30 anos, descreve sua experiência com a privação de sono, enfatizando a sensação de fraqueza e falta de energia. Para aqueles que se veem nessa situação, os especialistas recomendam que a insônia seja investigada quando as dificuldades para dormir ocorrem pelo menos três vezes por semana, por um período prolongado, e são acompanhadas de cansaço e prejuízos nas atividades diárias. O psiquiatra Alexandre Azevedo, do laboratório do sono da USP, destaca que a intervenção médica nem sempre requer medicamentos, sendo importante adotar medidas comportamentais, como a redução do uso de telas antes de dormir e a manutenção de horários regulares.
Os especialistas concordam que a insônia não deve ser vista como um simples incômodo. Ao persistir, pode comprometer não apenas a qualidade de vida, mas também a saúde cerebral e cardíaca, transformando um problema passageiro em um sério risco à saúde.
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