segunda-feira, 19/10/2026

Um em cada três adultos nas capitais apresenta sinais de insônia, alertam especialistas sobre os impactos à saúde.

A insônia é um mal que afeta uma parcela significativa da população brasileira, sendo um dos principais desafios enfrentados por muitos na busca por uma vida saudável. Patrick, de 35 anos, é um exemplo…

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A insônia é um mal que afeta uma parcela significativa da população brasileira, sendo um dos principais desafios enfrentados por muitos na busca por uma vida saudável. Patrick, de 35 anos, é um exemplo claro dessa luta. Ele se vê acordado às 4h12 da manhã, refletindo sobre como a falta de sono impacta sua rotina, seu desempenho no trabalho e, consequentemente, sua qualidade de vida. Especialistas alertam que as consequências vão além do cansaço; a insônia pode elevar os riscos de doenças graves como problemas cardiovasculares, AVC e demência.

Estudos indicam que cerca de um terço dos adultos nas capitais brasileiras apresenta sintomas de insônia, um transtorno que se manifesta pela dificuldade em iniciar ou manter o sono, levando à fadiga e afetando atividades cotidianas. Quando esses sintomas persistem por três vezes na semana durante três meses, é crucial buscar ajuda profissional.

Patrick, que atualmente trabalha com reabilitação física, confessa que suas noites são frequentemente perdidas em insônia. “Perto da hora de levantar, a situação piora, pois fico conferindo o relógio a cada instante”, diz. A falta de sono já lhe trouxe consequências no trabalho, como o momento em que quase perdeu a atenção com um paciente idoso. Vitória, de 30 anos, também enfrenta um desafio semelhante. Artista plástica e designer, ela convive com a insônia desde a infância, sentindo-se esgotada e sem energia ao longo do dia.

Os especialistas apontam que o estilo de vida contemporâneo desempenha um papel crucial na insônia. A iluminação artificial e o uso constante de dispositivos eletrônicos desregulam o relógio biológico do corpo, mantendo o cérebro em estado de alerta quando deveria estar se preparando para o sono. O psiquiatra Alexandre Azevedo, do Laboratório do Sono da USP, ressalta a importância de intervenções comportamentais antes de recorrer a medicamentos.

Durante um período de dez dias, Patrick e Vitória foram orientados a adotar hábitos saudáveis, como evitar telas antes de dormir e manter horários regulares. Vitória, por exemplo, destacou a importância de acordar sempre no mesmo horário, enquanto Patrick começou a terapia cognitivo-comportamental, um método que visa reconfigurar a relação do paciente com o sono.

A ciência tem se aprofundado nos efeitos da privação do sono, revelando que o descanso adequado é vital para a limpeza do cérebro, podendo prevenir o acúmulo de substâncias prejudiciais que se relacionam a doenças neurodegenerativas. O neurologista Diego Carvalho alerta que, além dos riscos para a saúde mental, a insônia está associada a problemas cardiovasculares e um aumento significativo na probabilidade de AVC em pessoas idosas.

Após o programa de acompanhamento, tanto Patrick quanto Vitória relataram melhorias em suas condições. Vitória mencionou a recuperação da disposição, enquanto Patrick expressou esperança em voltar a dormir bem sem depender de medicamentos. Os especialistas enfatizam que a insônia não deve ser encarada como uma condição isolada, mas sim como um sinal de que é hora de buscar ajuda. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece suporte e encaminhamentos necessários para aqueles que enfrentam esse desafio. Dormir bem, afinal, é uma necessidade fundamental para a saúde e o bem-estar geral.

Crédito da imagem: Foto: Pixabay — PIRO4D (pixabay)