Com o registro das propostas de governo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os candidatos à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), delinearam seus planos para o futuro do Brasil. Contudo, durante a corrida eleitoral de 2026, muitos temas cruciais ficaram em segundo plano, ofuscados por discussões mais populares. Um debate recente da TV Globo trouxe à tona algumas dessas questões negligenciadas, que merecem atenção e reflexão.
Entre os tópicos que não receberam a devida atenção, destaca-se o financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS) e o impacto do envelhecimento da população. O SUS, essencial para a saúde dos brasileiros, abrange serviços que vão desde a vacinação até a vigilância sanitária. Apesar de sua importância, o sistema não recebeu foco nas campanhas eleitorais. Para 2026, o governo federal prevê um investimento de R$ 254,93 bilhões no SUS, mas especialistas alertam que o envelhecimento da população demandará ainda mais recursos e uma coordenação mais eficaz entre as esferas federal, estadual e municipal.
Outro tema preocupante é a educação, especificamente a aprendizagem de matemática no ensino médio. Dados do Todos pela Educação revelam que, após duas décadas de progresso no ensino fundamental, o desempenho em matemática estagnou. A falta de formação adequada para professores e a natureza isolada da disciplina na vida cotidiana dos estudantes são apontados como fatores críticos para essa defasagem. A presidente-executiva da organização, Priscila Cruz, enfatiza a urgência de políticas que valorizem a formação docente e a introdução precoce de conteúdos matemáticos nas escolas.
O fenômeno climático El Niño também foi pouco debatido, embora tenha potencial para causar grandes mudanças no padrão de chuvas e temperaturas no Brasil. Cientistas afirmam que as projeções de um El Niño intenso até 2027 devem alarmar o país, que já enfrenta desafios significativos em relação a secas e enchentes. A falta de políticas públicas para mitigar os efeitos dessas condições climáticas é uma preocupação crescente, especialmente entre os grupos mais vulneráveis.
Por fim, a questão da população em situação de rua, que afeta mais de 390 mil brasileiros, foi praticamente ignorada nas propostas dos candidatos. Apesar da complexidade do problema e da necessidade de políticas públicas eficazes, tanto Flávio quanto Lula falharam em abordar diretamente a situação dessa população. O professor André Luiz Freitas Dias ressalta que, enquanto a gestão Lula se comprometeu a fortalecer a rede de proteção para os vulneráveis, a campanha de Bolsonaro não apresentou iniciativas concretas para enfrentar a questão.
Esses temas, que vão desde a saúde até a educação e a proteção social, são fundamentais para o futuro do Brasil. A ausência de discussão aprofundada sobre eles na campanha presidencial de 2026 indica uma desconexão entre os candidatos e as urgências da sociedade. Independentemente de quem assumir a presidência, o próximo governo terá a responsabilidade de enfrentar esses desafios de forma robusta e integrada.
Crédito da imagem: Flávio Bolsonaro e Lula chegam ao debate da Globo



