sexta-feira, 06/11/2026

Estudo revela que 25% dos adolescentes globalmente não se exercitam sequer uma hora por semana.

Um estudo recente publicado na revista The Lancet Global Health apresenta um cenário alarmante sobre a atividade física entre adolescentes no mundo. De acordo com a pesquisa, que analisou dados de 3,2 milhões de…

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Um estudo recente publicado na revista The Lancet Global Health apresenta um cenário alarmante sobre a atividade física entre adolescentes no mundo. De acordo com a pesquisa, que analisou dados de 3,2 milhões de jovens de 11 a 17 anos em 140 países, 25% dos adolescentes, ou aproximadamente 240 milhões, não conseguem realizar pelo menos 60 minutos de atividade física em nenhum dia da semana. A situação é ainda mais crítica entre as meninas, que apresentam níveis de atividade física sistematicamente mais baixos que os meninos.

Apesar dos esforços globais para promover a atividade física, os dados revelam que os índices de atividade entre os adolescentes não mostraram progresso significativo nos últimos 15 anos. Em 2025, a média global foi de apenas 2,7 dias por semana em que os jovens praticaram exercícios moderados ou vigorosos. Além disso, apenas 13,9% dos adolescentes relataram atingir a meta de atividade recomendada em todos os sete dias da semana.

As disparidades entre meninos e meninas são notórias, com 28,4% das meninas afirmando não ter realizado atividade física em nenhum dia da semana, em comparação a 21,7% dos meninos. No Brasil, essa desigualdade é acentuada, onde os meninos registraram em média de 1,1 a 1,2 dias a mais de atividades ativas por semana do que as meninas, refletindo uma preocupação com a inclusão de todas as camadas da população em iniciativas de saúde pública.

O estudo destaca que as desigualdades não se limitam apenas à quantidade de atividade física, mas se manifestam também na qualidade de oportunidades disponíveis para os adolescentes, especialmente para as meninas. As normas de gênero restritivas, medos relacionados à segurança e a falta de atividades adequadas são barreiras que precisam ser enfrentadas. Os pesquisadores argumentam que uma abordagem que foque apenas na mudança de comportamento individual não é suficiente e que é essencial desenvolver políticas que levem em conta o contexto social e cultural de cada região.

Além disso, os níveis de atividade física tendem a diminuir com o avanço da idade, especialmente entre as meninas. Os dados mostram que, enquanto as meninas de 11 anos praticavam em média 2,6 dias ativos por semana, essa média caiu para 2,2 dias aos 17 anos. Entre os meninos, a variação foi muito menor, indicando uma necessidade urgente de intervenções direcionadas.

A pesquisa também revela que países de renda alta tendem a ter melhores resultados em atividade física, enquanto aqueles de baixa e média renda enfrentam desafios significativos. Por exemplo, a média de dias ativos varia entre 3,8 e 4,1 em regiões mais desenvolvidas, em contraste com apenas 2,2 a 2,7 em áreas com menos recursos. Essa situação acentua a urgência de políticas públicas que promovam o acesso igualitário a espaços e oportunidades para a prática de exercícios.

Com as metas globais estabelecidas pela OMS para reduzir a inatividade física entre adolescentes até 2030, os resultados deste estudo são preocupantes. As projeções indicam que a proporção de jovens que não praticam atividade física deve permanecer estável, o que sugere que as iniciativas atuais não estão surtindo o efeito desejado. Para mudar esse quadro, os pesquisadores recomendam a implementação de políticas mais eficazes e adaptadas às realidades locais, que considerem as necessidades específicas de cada grupo, especialmente das meninas, que enfrentam barreiras adicionais.

Em suma, a atividade física entre adolescentes continua em níveis alarmantemente baixos, e é evidente que é necessário um esforço conjunto e estratégico para reverter essa tendência. O desafio é grande, mas a promoção de ambientes que favoreçam a prática de exercícios é uma etapa essencial para garantir o bem-estar físico e mental das gerações futuras.

Crédito da imagem: Adobe Stock