O Sistema Único de Saúde (SUS) é um marco na história da saúde pública brasileira, instituído pela Constituição de 1988, em um contexto de redemocratização do país. Promulgada durante o governo de José Sarney, a nova constituição não apenas encerrou um ciclo de repressão, mas também lançou as bases para um sistema de saúde que visa assegurar o acesso universal e gratuito aos serviços de saúde para toda a população.
A Assembleia Nacional Constituinte, presidida por Ulysses Guimarães, foi o palco onde se discutiram e definiram os direitos sociais e as novas diretrizes democráticas do Brasil. O SUS, portanto, não é fruto de uma decisão isolada de um governante, mas sim o resultado de um amplo movimento social que envolveu profissionais da saúde, pesquisadores e representantes da sociedade civil, todos unidos em prol da igualdade no acesso à saúde.
Embora a Constituição tenha garantido o direito à saúde, as diretrizes para a organização e funcionamento do SUS só foram estabelecidas em 1990, durante a presidência de Fernando Collor de Mello. Essa definição tardia se deve ao fato de que a constituição apenas estruturou os direitos, deixando para legislações futuras a concretização das operações do sistema.
Antes da criação do SUS, o atendimento médico no Brasil era predominantemente atrelado à Previdência Social, limitando-se a trabalhadores formalmente registrados e seus dependentes. Com a promulgação da nova constituição, a saúde foi reconhecida como um direito de todos, independentemente da condição de emprego ou contribuição previdenciária, representando um avanço significativo na inclusão social.
Hoje, o SUS oferece uma gama diversificada de serviços, incluindo atendimentos em unidades básicas de saúde, consultas, exames, cirurgias, vacinação, distribuição de medicamentos e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Além disso, o sistema desempenha um papel crucial na vigilância sanitária e epidemiológica, sendo um pilar fundamental para a saúde pública no Brasil.



