quarta-feira, 21/10/2026

Entenda os sinais de que a insônia pode se tornar um problema de saúde sério

A insônia se tornou um desafio crescente para a população brasileira, transformando o ato de dormir em um verdadeiro pesadelo. Quando a sensação de cansaço se torna recorrente, é crucial entender que isso pode…

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A insônia se tornou um desafio crescente para a população brasileira, transformando o ato de dormir em um verdadeiro pesadelo. Quando a sensação de cansaço se torna recorrente, é crucial entender que isso pode ser mais do que uma simples má fase; é uma condição que requer atenção e tratamento. Especialistas ressaltam que a insônia pode ser classificada como uma doença, frequentemente ignorada em meio à correria do cotidiano.

Vitória, de 30 anos, é um exemplo claro dessa luta diária. Desde a infância, a artista plástica tem enfrentado dificuldades para dormir, com episódios de sono leve e despertares constantes que prejudicam seu humor e disposição. “Eu me sinto drenada, como se minha energia tivesse sido sugada”, desabafa. O desafio de voltar a dormir após acordar é outro ponto que a atormenta, levando-a a pensar em tarefas não cumpridas e obrigações que a aguardam.

Patrick, de 35 anos, também compartilha dessa realidade. Trabalhando com reabilitação física, ele passa noites em claro, preocupado em não perder a hora de acordar, o que acaba afetando seu desempenho no trabalho. “O cansaço chegou a ser tão intenso que quase dormi durante um atendimento”, relembra, evidenciando os riscos da privação do sono.

Estudos apontam que cerca de um terço dos adultos nas capitais brasileiras apresenta sintomas de insônia, o que acende um alerta sobre as implicações para a saúde. O psiquiatra Alexandre Azevedo, do Laboratório do Sono da USP, explica que a insônia se caracteriza pela dificuldade em iniciar o sono, pelos despertares noturnos ou pelo despertar precoce, especialmente quando isso se torna frequente, com consequências diretas na qualidade de vida.

A tecnologia e hábitos modernos têm um papel importante nesse quadro. A exposição constante a telas e luzes artificiais interfere no relógio biológico, dificultando a transição para o sono. A ansiedade, como no caso de Patrick, também é um fator que contribui para a insônia, criando um ciclo vicioso de expectativa negativa em relação ao sono.

Embora muitos busquem soluções imediatas em medicamentos, os especialistas indicam que as mudanças de comportamento devem ser a primeira linha de defesa. Estratégias como manter horários regulares para dormir, aumentar a exposição à luz natural e reservar a cama apenas para o sono são fundamentais. Quando a insônia persiste, a terapia cognitivo-comportamental se apresenta como uma alternativa eficaz, ajudando os pacientes a reconfigurar suas relações com o sono e a ansiedade associada a ele.

As consequências da insônia vão além do cansaço e afetam diretamente a saúde mental e física. Pesquisas mostram que a falta de sono adequado prejudica funções cerebrais essenciais e está ligada a doenças cardiovasculares. O neurologista Diego Carvalho alerta para os riscos significativos, como aumento da probabilidade de AVC e problemas cardíacos.

Assim, a mensagem que se destaca entre os especialistas é clara: a insônia não deve ser considerada uma parte normal da vida. Quando as dificuldades para dormir se tornam frequentes, é essencial buscar ajuda e iniciar um tratamento adequado para recuperar não apenas as noites de sono, mas a qualidade de vida.

Crédito da imagem: Foto: Pixabay — mostafa_meraji (pixabay)