sábado, 24/10/2026

Dores articulares: como distinguir entre menopausa e doenças reumatológicas

A menopausa é uma fase da vida da mulher que traz diversas mudanças, e, entre elas, as dores nas articulações, músculos e tendões se destacam como queixas comuns. Embora a diminuição dos níveis de…

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A menopausa é uma fase da vida da mulher que traz diversas mudanças, e, entre elas, as dores nas articulações, músculos e tendões se destacam como queixas comuns. Embora a diminuição dos níveis de estrogênio esteja frequentemente associada a esses desconfortos, especialistas alertam que nem todo tipo de dor é resultado direto das alterações hormonais. Quando as dores se tornam persistentes, limitam as atividades diárias ou são acompanhadas de sintomas como inchaço, rigidez matinal prolongada e fraqueza muscular, é essencial buscar a avaliação de um reumatologista.

O reumatologista Valderílio Feijó Azevedo, presidente da Sociedade Brasileira de Reumatologia, enfatiza que a atenção a esses sinais é fundamental. Ignorar a possibilidade de doenças como artrite reumatoide, artrose ou fibromialgia, que podem se manifestar durante a menopausa, pode atrasar diagnósticos importantes e levar ao agravamento das condições. A síndrome musculoesquelética da menopausa, um termo introduzido recentemente para descrever o conjunto de manifestações relacionadas à queda do estrogênio, ainda carece de consenso entre os especialistas, mas já serve para destacar a importância de se observar os sintomas com um olhar atento.

Para ajudar na identificação de problemas que vão além da hormonal, os médicos recomendam estar atenta a certos sinais de alerta. O inchaço e a rigidez nas articulações, por exemplo, podem indicar processos inflamatórios que requerem investigação. A rigidez matinal que persiste por mais de 30 minutos, dores que interrompem o sono e fraqueza muscular significativa são outros indicativos de que a situação merece atenção médica. Embora a menopausa traga alterações naturais, a presença de sintomas que comprometem a qualidade de vida não deve ser negligenciada.

Durante a transição para a menopausa, muitos fatores podem se entrelaçar, dificultando a identificação clara da origem das dores. A combinação de problemas de sono, fadiga e a própria queda hormonal pode gerar um quadro confuso. Muitas vezes, as mulheres se deparam com dores que não apresentam sinais objetivos de inflamação, complicando ainda mais o diagnóstico. É por isso que a realização de exames e uma avaliação clínica detalhada são cruciais para descartar doenças reumatológicas que exigem tratamento específico.

Azevedo ressalta que a abordagem deve ser abrangente, considerando tanto as mudanças hormonais quanto outras possíveis doenças. A síndrome musculoesquelética da menopausa implica em alterações que afetam a saúde óssea, muscular e articular, resultando em dores e limitações que, se não tratadas, podem impactar severamente a qualidade de vida da mulher. A falta de atividade física, o sedentarismo, o excesso de peso e problemas de sono são fatores que podem agravar esse quadro.

A adoção de um estilo de vida saudável é uma das melhores estratégias para minimizar os impactos da menopausa. A prática regular de exercícios físicos, uma alimentação balanceada e cuidados com a saúde mental são fundamentais. O treinamento de força, em particular, é reconhecido como uma intervenção eficaz para preservar a saúde musculoesquelética. Além disso, o tratamento pode incluir medicamentos para controle da dor e, em alguns casos, a terapia hormonal pode ser considerada, mas sempre com avaliação cuidadosa dos riscos e benefícios.

Portanto, as mulheres não devem aceitar a dor como parte inevitável da menopausa. Ao perceber sinais de alerta, é fundamental procurar um médico que possa orientar sobre o tratamento adequado e garantir uma melhor qualidade de vida durante essa fase de transição. A identificação precoce e a ação efetiva podem fazer toda a diferença, evitando que doenças reumatológicas se desenvolvam sem o devido acompanhamento.

Crédito da imagem: Adobe Stock