sexta-feira, 16/10/2026

Reflexões sobre o SUS: Lições da Crise da Saúde Britânica e o Papel do Médico na Atenção à Saúde no Brasil

A comparação entre os sistemas de saúde do Brasil e do Reino Unido é uma discussão rica e que revela muito sobre os desafios enfrentados por ambos os países. Ana Luíza Gibertoni Cruz, uma…

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A comparação entre os sistemas de saúde do Brasil e do Reino Unido é uma discussão rica e que revela muito sobre os desafios enfrentados por ambos os países. Ana Luíza Gibertoni Cruz, uma médica que viveu a experiência em ambos os contextos, destaca que, enquanto o Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro se inspirou no National Health Service (NHS) britânico, hoje ambos enfrentam crises que podem oferecer lições valiosas para o futuro.

Atualmente, o NHS atravessa uma de suas maiores crises, resultante de anos de investimentos aquém do necessário, aumento da demanda e uma população que vive mais, mas com maior incidência de doenças crônicas. A médica brasileira, atuando em um hospital de Oxford, observa que esses problemas são semelhantes aos que o SUS pode vir a enfrentar, considerando o envelhecimento acelerado da população brasileira e a desigualdade no acesso aos serviços de saúde.

Um dos principais desafios que ambos os sistemas enfrentam é a desigualdade na distribuição de recursos e serviços. No Reino Unido, as diferenças de financiamento e desempenho entre as quatro nações — Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte — fazem com que o acesso a tratamentos e exames especializados varie enormemente. No Brasil, a desigualdade é ainda mais acentuada pela extensão territorial e pela disparidade de recursos entre regiões.

A criação de Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) no Brasil em 2007 reflete uma tentativa de abordar problemas semelhantes enfrentados pelas AAUs do NHS, que visam reduzir a pressão sobre os grandes hospitais. Contudo, a implementação e o funcionamento desses sistemas ainda revelam diferenças significativas, como a gestão das filas de espera, que exige uma triagem eficiente e um foco na atenção primária.

Os especialistas ressaltam que a experiência do NHS com a atenção ao envelhecimento da população pode servir como um alerta para o Brasil, que já enfrenta um crescimento acelerado da população idosa. A integração entre saúde e assistência social, observada no Reino Unido, é uma estratégia que poderia ser adaptada para melhorar o atendimento ao idoso no Brasil, evitando internações desnecessárias e promovendo cuidados domiciliares.

Além disso, o financiamento adequado e uma gestão eficiente são cruciais para qualquer reforma bem-sucedida. O Brasil ainda enfrenta o desafio de um sistema de saúde que, embora universal, carece de recursos suficientes e apresenta complexidades administrativas que dificultam a implementação de mudanças eficazes. A experiência britânica sugere que não basta apenas planejar reformas; é preciso garantir que haja recursos e uma execução prática que atenda as necessidades reais da população.

Portanto, tanto o SUS quanto o NHS têm lições a compartilhar sobre como enfrentar os desafios de um sistema de saúde pública. A adaptação a novas realidades demográficas e a melhoria no acesso e qualidade dos serviços são objetivos comuns, e a troca de experiências pode ser uma ferramenta valiosa na busca por soluções mais eficazes.