No último mês, durante o 81º Congresso Brasileiro de Cardiologia, a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) apresentou a terceira edição da Diretriz de Cardiogeriatria. Este documento, com mais de 170 páginas, se torna um guia essencial para os cardiologistas que lidam com pacientes idosos e suas complexas necessidades em relação a doenças cardiovasculares.
A nova diretriz enfatiza que as decisões sobre o tratamento não devem ser meramente baseadas na idade cronológica do paciente, mas sim nas condições de saúde e na capacidade funcional do indivíduo. Essa abordagem reconhece que a idade não é um determinante isolado e que fatores como fragilidade e comorbidades devem guiar as intervenções médicas.
Um dos destaques dessa edição é a inclusão de um capítulo específico sobre síncope, um tema inédito em diretrizes mundiais voltadas para a geriatria. A síncope, que pode ser uma das principais causas de quedas em idosos, é frequentemente subdiagnosticada e pode sinalizar problemas cardiovasculares sérios. A SBC aponta que cerca de 45% das quedas não acidentais entre os idosos resultam de episódios de síncope não identificados, ressaltando a importância da vigilância médica para evitar acidentes que podem ter consequências devastadoras, como fraturas e traumatismos cranianos.
Além disso, a diretriz alerta para os riscos da polifarmácia, que envolve o uso de múltiplos medicamentos e pode causar efeitos colaterais, como quedas da pressão arterial e tonturas, aumentando a vulnerabilidade dos idosos. Nesse contexto, o papel do cardiologista se torna crucial na revisão das prescrições, contribuindo para um tratamento mais seguro e eficaz.
Outro ponto relevante abordado na diretriz é a fragilidade, uma condição que, ao contrário do que muitos pensam, não é uma consequência inevitável do envelhecimento. A fragilidade pode ser revertida com intervenções adequadas, como exercícios de resistência. A detecção precoce da sarcopenia, marcada pela perda de massa e força muscular, é fundamental e pode ser realizada através de sinais como a dificuldade em se levantar e a presença de exaustão física.
Portanto, a Avaliação Geriátrica Ampla (AGA) deve ser considerada um padrão-ouro no atendimento a idosos, promovendo uma abordagem interdisciplinar que avalia não apenas questões clínicas, mas também aspectos funcionais, cognitivos e sociais. Essa diretriz não apenas atualiza o conhecimento dos profissionais de saúde, mas também aponta para a necessidade de um cuidado mais humanizado e individualizado para a população geriátrica.
Crédito da imagem: Cardiogeriatria é tema de livro




