sábado, 17/10/2026

Novo exame de sangue para diagnóstico de Alzheimer é lançado no Brasil: detalhes sobre elegibilidade, custo e interpretação dos resultados

O Hospital Moinhos de Vento, localizado em Porto Alegre (RS), acaba de lançar um exame de sangue inovador que promete transformar o diagnóstico do Alzheimer no Brasil. Disponível a partir de hoje, 15 de…

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O Hospital Moinhos de Vento, localizado em Porto Alegre (RS), acaba de lançar um exame de sangue inovador que promete transformar o diagnóstico do Alzheimer no Brasil. Disponível a partir de hoje, 15 de novembro, o teste mede a proteína p-tau217, que pode indicar alterações biológicas no cérebro associadas à doença. Com um custo aproximado de R$ 3 mil, o exame é direcionado a pacientes que já apresentam sintomas e suspeitas clínicas da enfermidade.

Um dos aspectos mais relevantes deste novo teste é a possibilidade de evitar procedimentos mais invasivos, como a punção lombar ou exames de imagem, que atualmente são os métodos mais comuns para confirmar o Alzheimer. No entanto, é importante ressaltar que um resultado positivo no teste não é suficiente para confirmar a demência, e a inclusão do exame no Sistema Único de Saúde (SUS) ainda não tem previsão, uma vez que não houve demanda formal para a sua avaliação pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec).

A proteína p-tau217, cuja presença no sangue está ligada ao acúmulo de placas de beta-amiloide no cérebro, serve como um marcador indireto das alterações associadas ao Alzheimer. A análise é realizada em um equipamento automatizado, o que, segundo especialistas, pode garantir maior precisão e consistência nos resultados entre diferentes laboratórios. O médico Eduardo Zimmer, responsável pela implementação do exame, estima que até 20% dos resultados podem ser inconclusivos, levando a necessidade de exames complementares, como PET scans ou repetição do teste após 12 meses.

Os dados que sustentam a eficácia do exame foram publicados em um estudo de 2025 na revista Nature Medicine, que envolveu 1.767 pacientes com sintomas cognitivos na Europa. Os resultados mostraram que o exame de sangue teve uma taxa de concordância de até 94% com a análise do líquor, tradicionalmente utilizado como padrão-ouro para confirmar a presença de Alzheimer.

Embora as expectativas sejam altas, a realidade da disponibilidade do teste no SUS ainda é incerta. A Anvisa já regularizou o produto, mas a adoção no sistema público dependerá de avaliações rigorosas de custo-efetividade e de uma demanda formal não registrada até o momento. A proposta é que o exame possa ser integrado aos planos de saúde até 2026, mas o futuro permanece indefinido.

A nova alternativa de diagnóstico representa um avanço significativo para aqueles que buscam respostas sobre seus sintomas. Especialistas, como o neurologista Renato Anghinah, ressaltam que, embora o exame possa acelerar o processo diagnóstico, ele deve ser um dos muitos elementos considerados na avaliação clínica do paciente. Diagnosticar a doença precocemente pode abrir portas para tratamentos que, embora não interrompam a progressão da doença, podem retardá-la e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

Enquanto isso, aqueles que notam esquecimentos frequentes são aconselhados a procurar um especialista, que poderá indicar o exame apropriado após uma avaliação cuidadosa. O futuro do diagnóstico do Alzheimer no Brasil promete ser transformador, mas os desafios para sua incorporação na rede pública ainda são substanciais.

Crédito da imagem: Foto: Pixabay — shameersrk (pixabay)