A busca pela paternidade e maternidade tem levado cada vez mais brasileiros a cruzar fronteiras em busca de tratamentos de reprodução assistida. O crescimento da medicina reprodutiva aliado a legislações mais permissivas em outros países tem atraído aqueles que não encontram soluções adequadas em solo nacional. Fertilização in vitro, doação de óvulos e gestação por substituição são alguns dos procedimentos que impulsionam essa jornada.
Em um cenário onde a legislação brasileira impõe diversas restrições, como a exigência de que a gestante tenha um filho e que a relação com os futuros pais esteja restrita até o quarto grau de parentesco, muitos optam por destinos onde as leis são mais favoráveis. O mineiro L.M, que se tornou pai de dois filhos na Colômbia, explica que era fundamental para ele garantir que seus filhos tivessem a documentação correta e que seu papel como pai fosse reconhecido legalmente.
Entrevistados que compartilham suas experiências frequentemente optam pelo anonimato, refletindo uma preocupação com a privacidade e o receio de preconceitos. Ana Paula Del Padre, da Tammuz Family, ressalta que esse sigilo não é necessariamente uma questão de vergonha, mas sim um cuidado com a intimidade, tanto da família quanto da criança, que terá o direito de contar sua própria história no futuro.
A falta de uma legislação clara no Brasil sobre a gestação por substituição faz com que muitos brasileiros busquem alternativas em países onde a regulamentação proporciona maior segurança jurídica. A advogada Larissa Mocelim alerta que, embora algumas opções no exterior possam parecer mais simples, é fundamental analisar a legislação local e os contratos, garantindo que todos os aspectos da parentalidade sejam respeitados desde o início do processo.
Os custos das intervenções variam significativamente, dependendo do país e do tipo de tratamento escolhido. Nos Estados Unidos, destinos populares para esses procedimentos, os valores podem chegar a impressionantes US$ 200 mil. Entretanto, na Colômbia e no México, a média gira em torno de US$ 80 mil, o que tem atraído brasileiros em busca de soluções mais acessíveis. Exemplos notáveis incluem figuras públicas como Paulo Gustavo e Ludmilla, que também recorreram a esses países para realizar o sonho de serem pais.
O perfil dos brasileiros que buscam esses tratamentos é variado. Inclui casais homoafetivos, pessoas que enfrentaram problemas de fertilidade e aqueles que, após longas tentativas de reprodução assistida, optam por explorar o exterior. T.M, de 50 anos, compartilha que seu desejo de ser mãe se concretizou em 2021, após um processo que incluiu a doação de óvulos e uma gestação por substituição, destacando a importância de um suporte jurídico e médico durante todo o caminho.
A diversidade de experiências e motivações revela que a busca pela parentalidade é um tema complexo e muito pessoal. Cada caso carrega sua própria carga emocional e desafios, mas, para muitos, a viagem ao exterior se torna uma oportunidade de transformar o sonho da paternidade em realidade, em um ambiente que oferece mais segurança e suporte.



